sexta-feira, 5 de março de 2010

Desairosa razão

Descabido direito
Enriquecimento ilícito
Que razão é essa?


Deturpa
Compara a Arruda
Ladrões


Apologetas dos patrões
Fantasiam o real
Condena:
Privilegiados!
Agraciados!


Transforma bandeiras vermelhas
Em verdes alucinações
Enganações

Precariedade da universidade
Em privada transforma
Sem pífia seriedade


Perdas fruto da vereda
Ofensiva ao trabalhador
Na constante artimanha


Engana
Mantém a cerca societária
E pensam nossa compreensão como otária

Coisifica
Barateia
nossa força
nossa mão

Sucateia
nossa mente
E a educação


E sabe se lá quantos outros braços do polvo
A nos sugar a vida e a bolsa

Como diria Drummond
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Gregos indicam
O tempo não mente
É curto camaradas

E somos muitos milhões de homens comuns
E podemos formar uma muralha

Numa aguerrida luta
É tempo...
Vamos de mãos dadas...

(02.03.2010 - Bsb)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Choque do carnaval

Escancaro
O caro som
Da alegria
Escondida
Apagada
Esmagada
Exaurida mas aparecida
Na semana carnavalesca

Do meu Rio
Que leva choque

Com reboque
Das perdas dos mesmos
Exauridos, desprovidos
De chão

Em meio a multidão
Ao som da percussão
Esconde
Esquece
A exploração

Sorrisos esperados
Na festa de fevereiro
Para aliviar
E esperar o carnaval passar

Vela
Aliena
Espera
Revolta
Exprime
Reprime
O olhar sem avisar...

Haiti

Explosão
Emoção
Da criança de braços abertos
Saudando
Os emocionados que a salvaram

Incoerência
De uma vivência explorada
Sem teto, sem chão, sem esperança
Como um campo de experiência

Órfãos de tudo
Espremidos pelo império
Imprimidos a servir
O Haiti não é aqui

Exploração
Coação
Prisão em seu próprio Estado-nação

Sem liberdade
Sem igualdade
Muita humildade
Na falaz democracia
De uma sociedade voraz

Sem pudor
No tremor
De perdas
E vidas

Achadas
Encontradas
Exploradas
Perdidas

domingo, 3 de janeiro de 2010

Choque anafilático

Infame
Inflame
me chame
para o vexame
do enxame

do ferrão
do zumbido
das abelhas
arquitetas da colmeia
Epopeia

prurido da vermelhidão
veio a rouquidão

Sem palavras
cem palavras
Não dizem nada
Não provam nada

Nada no rio
nada no mar
mergulha no vazio
profundo da irrazão
sem concepção
só na emoção

Ruído

Palhaços nos abraçamos
Com presentes
Ausentes do sentido imbuído
de um espírito consumidor
ruído
entendido como natalino

Ópio reduz o ódio
da miséria agravada
da corrupção nata deste sistema

Com nariz vermelho
alimentamos com alegria
a realizada mais-valia

No shopping
na concessionária
na padaria

Mercadorias
produzidas coletivamente

E o fruto?
Colhem direto da árvore

E a árvore de natal
nos conforta
com bolas de vidro
coloridas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Aquarela nada bela

Individualidades
Infringidas, destruídas
Na formação de um exército
Modificado na formatação
De seres supostamente iguais

Individualismo
Rei da ação
no cotidiano vivido
da competição

Transformismo
poderemos transformar de verdade
quando?

Libertadores mascarados
Descarados na possibilidade
da ingenuidade de um povo
sofrido, lambido
pela seca da tristeza
de lágrimas inundantes

Derrubam vidas
matam esperanças
Da casinha de papelão
Tudo em vão

Obras para mudar
Meras maquiagens
que se transformarão em borrões
na aquarela do Brasil
de norte a sul

Pingos de mudanças
pela desenfreada acumulação
num mundo em destruição

Aquece, esfria, degela
Vamos humanizar
Sustentar o planeta

Aff!Chega de engodos!
Assim explodo...

Deveras necessária
Verdade, a permanência
possível
engendra com outra
sociabilidade

Bárbara crueldade
constante
o verde vira marrom
o azul vira cinza
E a humanidade avermelhece
na paixão da ação
ou na morte em um caixão...

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010

Hora de recomeçar
Um inicio sempre esperado
Esperança que seja mudado

Expectativa espraia
A mente de todos aqueles inquietos
Com a barbárie cada vez mais presente
A indiferença não ausente

Cada ano
Um pesar
Constantes recuos
Tropeços não cessam

Apesar do esforço contínuo
Nunca exíguo de acreditarmos
A verdadeira história há de começar

Pelas veredas da razão
De mais uma possibilidade
Mergulhamos na sensação
É um novo ano!

Perduraremos na luta
Com intemperança

Buscaremos sem comedida
Abraços fraternos
Transformarão a inação

Revolucionar
Na batalha das ideias
E na guerra por outro mundo
É imprescindível é necessário